Lírico

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Greenland
Toda eu sou alma. Todo eu sou frio, branca como a neve. Toda eu sou sonho, céu, nuvem. Toda eu sou girassol. Toda eu serei tua, se assim o entenderes.

3 de outubro de 2010

Respirações


Love is true when is strong,
A strange feeling that make we try,
You maybe think all are wrong,
But it’s only your heart learning to fly.

Olhei o firmamento a fim de obter uma resposta positivamente embrulhada, mergulhada no mais harmonioso dos perfumes celestes mas o que me envias é uma massa de ar quente que me sufoca e me transporta para longe, mais uns longínquos centímetros afastada de ti. E mais do que respirações, envio inspirações até ao lugar mais sagrado, brilhante e calado de todo o universo. As memórias que tenho de ti encantam-me e envolvem-me numa maré de sorrisos que não consigo controlar, dos quais já não sou dona. Suspirando, te lembro; cantando, te chamo.


E era isto que Madalena rezava cada noite que cobria seu céu. Segundo ela, o amor era a perfeita conjugação entre passados e futuros, coligados num presente inconstante e transformando cada momento numa passagem momentânea para a morte ou para a vida. Ele despertava, fazia bater de novo um par de corações, preservava toda a alma intacta e cheia de movimentações e concebia aquela esperança que teimava em não desaparecer.

Mas tudo o que é demasiadamente bom, estrondosamente nos desilude. Uma fractura no amor é facilmente equiparável a uma última pulsação, um derradeiro grito antes da inalterável partida…

Ele descobrira a maneira ideal e cronometrada do batimento do seu coração. Só ele desencantara o olhar mais singelo e resgatava a sua melhor conjugação de traços. Só ele possuía a chave e a combinação do enigma capaz de tornar o cinzento das nuvens num radiante branco coberto de luz solar.

Olhem: o céu caiu e espartilhou-se em bocados de pedra gélida, crua, fria, negra, estridentemente arrepiante. O que lhe surgiu por detrás? Um inferno não feito de chamas, fogo, ardentes diabos infernizadores de tantas almas mas feito de nada, de vazios, de nulos, de vácuo! E foi o que Madalena decompôs após a partida do ser mais imperfeito que alguma vez conhecera: até poderia ser encoberto por todos os defeitos mas a seus olhos, era como um anjo, o seu anjo, aquele que a fazia acordar e sorrir, que lhe embalava o pensamento e a fazia sonhar, que lhe criava asas, fazendo-a voar. Era ele que a protegia, todos os dias, da má disposição, das críticas, dos embaraços, dos olhares despropositados e das alergias a gentes que nem sequer sabiam o significado de realmente gostar de alguém.

Agora seu coração já não batia como um dia lá longe no tempo batera. Neste momento ela ansiava por muito mais vitalidade. Tornou-se lutadora de uma causa só dela: dar vida a uma alma, ao seu próprio vazio. Não queria recordar aquela noite, aquela terrível e amaldiçoada madrugada que levou tudo o que ela possuía. Seu coração não lhe pertencia: estava contido nele. E uma vez que ele partira, seu peito não mexia, não movia, não falava nem sentia.

Foram segundos, escassos segundos que levaram igualmente dois corações e apenas uma e uma só vida…
Bárbara

4 comentários:

Maria disse...

Está algo de incrível (:
Adorei Barbara :D

Maria Papoila disse...

muito giro :) adorei *

Angela disse...

Está lindo Bá ! +.+

My dream, my reality disse...

Interessantissimo :D Gostei mesmo!