Lírico

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Greenland
Toda eu sou alma. Todo eu sou frio, branca como a neve. Toda eu sou sonho, céu, nuvem. Toda eu sou girassol. Toda eu serei tua, se assim o entenderes.

1 de dezembro de 2010

Eu falando comigo



Conta comigo! E com a Lua e as estrelas e o brilho dos céus. Estaremos todos torcendo por ti. Embalaremos teus cabelos ao sabor da maré de acontecimentos presentes e trataremos mais da tua alma, ligando-a a tudo o que de belo considerares. Não digas nada: os agradecimentos que fiquem pendurados nos ramos estrondosos e fortes da tua linha imaginativa. Por agora, completa os átomos, constituintes de ti. Ama-os: são eles que te concedem uma forma, uma apresentável maneira de existir.

Os vidros partem. Só vislumbro os bocados escorraçados e espalhados no canto daquela sala que só te queria ouvir estremecer. As paredes pareciam querer apreciar as palavras que por ti eram transfiguradas e que voavam para os maiores templos citadinos. Que confusão de alma, que destroçado coração! Desinteressa-te: de nada te serve o triste brilho dos teus olhos. Sobe a escadaria que te posicionará na alta montanha. Aí, ninguém te fará sofrer, ninguém chegará perto de ti; não deixarás jamais que outro ser estranho se infiltre no teu território, naquele lugar que é só teu. Bastou.

O quanto esta música me embala… apetece-me adormecer nos braços do vento, quero o aconchego quente dos raios de Sol que despertam minha visão logo pela manhã. Estás doente! O teu interior é um débil buraco que não termina, tudo elimina, nada cautela. Faz desaparecer as memórias, transporta-te para uma outra e dissemelhante dimensão. O tamanho deste vazio que me compõe preocupa-me mais que nunca. Quero fugir daqui, levar-te comigo, desprender-me de tudo o resto. Não quero memórias, recordações, sentimentos ou sensações: só destruirei o meu vazio com mais vazio. Preciso de algo mais incompleto que eu! Sei que no fim os fantasmas correrão para dentro das suas masmorras de pedra que os protege e me deixarão a paz que é minha por natureza.

Não tenho palavras: todos querem algo diferente, somos tão desiguais… o que estou eu a fazer contigo, o que estou eu a fazer comigo própria? Sei o que quero e o que por agora desprezo. Quero paz, desejo toda a harmonia e tranquilidade deste mundo e do próximo; quero escutar as melodias e sentir que me encontro dentro de todos os timbres e ritmos, todas as batidas e sons. Gostava de ser uma música e percorrer os corações das gentes, dar-lhes outro movimento à alma, conceder-lhes mais ânimo para a vida; ou uma corrente de ar: sopraria aos ouvidos dos enamorados relembrando-lhes a sorte que possuíam em ter alguém tão esbelto a seu lado e que tanto os amava! Não me importaria de nascer como um raio de Sol: iluminaria o caminho de todos os seres e aquecer-lhes-ia o coração; faria brilhar o cabelo das meninas pela manhã e passaria o resto da tarde na praia, contemplando a água do oceano. Continuo sem saber onde me encontro e porque fugi de mim. Talvez eu não mais seja um bom lar para mim própria.

Até me refugiava em ti mas tenho medo que me expulses e fique sem lugar algum para permanecer.

Bárbara

4 comentários:

Ricardo Cunha disse...

Muito bom minha Bá. [Como sempre !]

Gostei :)

Miguel ® disse...

gostei *-*
vou seguir :)

Miguel ® disse...

comecei há pouco mas tenciono publicar textos em breve (:

obrigada :p

daniela miranda disse...

gosto muito :) *